Evolução da Implantodontia: comparando conexões protéticas

Sou Prof. Bernardo Passoni e teremos um compromisso marcado toda última quinta-feira do mês, onde vamos discutir sobre os mais diversos temas da Implantodontia.

Antes de tudo quero me apresentar, sou natural de Florianópolis/SC e apaixonado pela Odontologia. Desde os tempos de graduação, o que me fascina é a possibilidade de devolver a autoestima ao paciente, através de tratamentos reabilitadores, que entregam saúde, função e estética. Por isso, sou especialista em Periodontia (UFSC), mestre e doutor em Implantodontia (UFSC). Hoje me divido entre a clínica e cursos de graduação / atualização / especialização. Meu objetivo é retribuir os ensinamentos e oportunidades que me foram dadas, disseminando o máximo possível todo conhecimento que adquiro, o motivo do nascimento dessa coluna, para ser um canal aberto de comunicação, com sugestões de temas, dúvidas, críticas e elogios.

Assim como em outras áreas, a tecnologia vem mudando a forma de pensar e fazer Odontologia. Não podemos começar a falar de implantes dentários sem antes citar o Prof. Per-Ingvar Branemark e sua descoberta da osseointegração, no entanto desde os seus primeiros implantes instalados em 1965 muita coisa mudou. Podemos citar a evolução da macrogeometria dos implantes, das conexões protéticas, dos tratamentos de superfície, das técnicas de instalação, filosofias de trabalho e etc. Tudo isso em busca de resultados mais rápidos, seguros e previsíveis.

Hoje vamos conversar sobre as conexões protéticas. Apesar da conexão hexagonal (principalmente externa) ainda ser a mais difundida e utilizada no Brasil, sabemos que possui algumas limitações biológicas e mecânicas. A principal delas talvez seja a saucerização, que é a remodelação dita fisiológica para acomodação dos tecidos peri implantares. Isso ocorre pois à partir do momento que instalamos o componente protético, haverá uma colonização bacteriana no gap entre a plataforma do implante e o componente. Com isto, ocorrerá uma remodelação óssea em direção apical ao redor de todo o implante, para que o epitélio juncional e a adaptação conjuntiva possam se adaptar em um sítio sadio. Isso contra indica a instalação deste tipo de implantes? Não. Mas devemos ter muito mais cuidado e respeitar as distâncias entre dente x implante ou implante x implante, para que após essa remodelação não haja perda de crista óssea e papila.

Quando falamos de implantes cone morse, temos que fazer uma diferenciação do que há no mercado e do que realmente é cone morse. A conexão morse descrita em Stephen A. Morse em 1964 se caracteriza pelo embricamento de dois componentes que se encaixam por meio de cones macho e fêmea com ângulos na faixa de 1 a 1,5 graus. Sendo assim, tudo que possua um parafuso para segurar o componente sobre o implante, deve ser chamado de conexão cônica interna. Funciona? Sim, utilizamos este tipo de implante com alta taxa de sucesso há anos, mas devemos nomeá-los de maneira correta. O cone morse verdadeiro (friccional), apresenta inúmeras vantagens como maior estabilidade mecânica e melhor acomodação dos tecidos periimplantares, com formação das distâncias biológicas ao redor do componente protético (ou seja, da plataforma do implante em direção coronal) e consequentemente manutenção das cristas ósseas. A utilização de implantes cone morse facilita os nossos resultados estéticos e deve ser o tipo de conexão de primeira escolha atualmente.

Na próxima coluna, falaremos sobre o grande xodó do sistema Arcsys, a possibilidade de angulação do componente protético, a maior inovação da implantodontia desde a descoberta da osseointegração por Per-Ingvar Branemark. E isto caros colegas, só é possível por ser um sistema friccional, de tecnologia 100% nacional. Até a próxima!

Email
LinkedIn
Telegram
Facebook
plugins premium WordPress

Selecione seu idioma

Select your language