Categorias de resinas: usos, indicações e diferenças

Autor: Rodrigo S. Reis.

Na odontologia restauradora, os compósitos resinosos – ou simplesmente as resinas (ou resinas compostas) – constituem os mais versáteis materiais desde seu lançamento comercial, no início da década de 1970.

Junto com as técnicas de adesão, esses materiais revolucionaram os conceitos e as técnicas restauradoras, nas quais estética e preservação de estrutura dental sadia ganharam progressivo destaque até serem consideradas pontos-chave atualmente, quando as bases restauradoras priorizam a mínima invasão pertinente ao caso, a adesão como chave para integridade marginal, retenção e estabilidade da restauração e a estética por meio dos efeitos óticos das resinas.

Dentre as notadas evoluções, destacamos melhorias significativas em propriedades mecânicas, resistência ao desgaste, brilho e polimento, redução de contração de polimerização, redução de sorção de fluidos e massas com diferentes graus de opacidade, além de resinas que, com um grau de sofisticação química – como as Bulk Fill e as unicromáticas -, oferecem soluções de simples resolução e menor tempo clínico dentro de suas indicações.

Vamos, a seguir, discorrer de modo objetivo sobre os cinco tipos de resinas da atualidade e suas peculiaridades:

Resinas convencionais

São resinas de consistência normal, modeláveis e passíveis de serem esculpidas, indicadas para uso anterior, posterior e indiretas (desde que com ciclo adicional de polimerização).

Apresentam diferentes cores, de acordo com a escala clássica de cerâmica, e ainda diversos graus de opacidade, como:

  • Opacas: usadas para opacificar um substrato indesejável;
  • Dentinas: de opacidade média, servem como substitutas de dentina e propiciam o aspecto cromático da restauração e mascaramento de interfaces;
  • Esmaltes Cromáticos: de baixa opacidade (média para alta translucidez), normalmente não devem ser empregadas em espessuras muito maiores que 0,5 mm a fim de evitar que sua translucidez gere um acinzentamento da restauração (redução do valor/luminosidade), mesmo se tendo a cor correta selecionada;
  • Translúcidas ou Esmaltes Acromáticos: materiais de alta translucidez, para quando se faz necessário evidenciar aspectos opalescentes nos bordos incisais;
  • Resinas de Valor: materiais que aumentam o valor sem oferecer opacidade. São empregados em estratificações complexas;
  • Resinas de Corpo ou Body: resinas de opacidade intermediária para casos simples e sem necessidade de grandes efeitos óticos.

Esses materiais geralmente devem ser empregados em espessuras de até 2 mm (profundidade de polimerização), e cada incremento deve ser fotoativado em média por um período entre 20 e 40 segundos, dependendo da cor, opacidade e tipo do aparelho fotoativador.

Com relação às técnicas ou estratégias restauradoras, temos:

  • Estratificação simples ou Body: em que somente uma massa de Corpo ou Body (é empregada opacidade média) requer uma espessura máxima de 1,5 mm em dentes anteriores (caso contrário a restauração ficará acinzentada pela falta de opacidade do material) e em substratos de cor favorável. O resultado estético é normalmente satisfatório em cavidades pequenas e médias, pois o uso de uma única massa de opacidade média limita os efeitos óticos do material. Empregar técnica incremental pode ser uma boa opção para dentes posteriores;
  • Estratificação dupla: quando empregamos normalmente a associação de massas de Esmalte e Dentina, cuja interação de massas de diferentes graus de opacidade/translucidez pode reproduzir mais fielmente os efeitos óticos de dupla camada da dentina e esmalte dental. É importante, no caso das resinas, que a espessura do esmalte fique entre 0,5 mm e, no máximo, 0,7 mm (dependendo do seu grau de translucidez), para que uma translucidez excessiva reduza a luminosidade da restauração, o que a deixa levemente acinzentada. Técnica de uso mais corriqueiro e versátil tanto em dentes anteriores quanto posteriores;
  • Estratificação complexa: técnica empregada em grandes reconstruções anteriores ou até mesmo em algumas mais simples, mas com casos que apresentam destacada evidenciação de mamelos, translucidez incisal e opalescência incisal. Ou, ainda, quando existe um substrato desfavorável que precisa ser neutralizado ou uma grande ausência de parede (classe IV extensa), condições que requerem o emprego de uma resina de efeito opaco para, em seguida, ser recoberta por uma massa de dentina no processo restaurador. Para obter sucesso nessa técnica, é necessário ter um profundo conhecimento de passagem de luz pelas diferentes massas de resina e dos efeitos óticos que cada uma delas oferece.

Resinas convencionais

Resinas Convencionais FGM: Vittra APS, Opallis e Llis

Resinas Flow

Resinas de consistência mais fluida e injetadas nas cavidades sem o aspecto esculpível das resinas convencionais. São materiais que evoluíram e apresentam atualmente duas subcategorias:

  • Resinas Flow convencionais: surgiram em meados da década de 1990. Apresentam baixo teor de carga (35% a 50%), propriedades mecânicas baixas, contração e tensão de polimerização altas. Indicadas para forramentos (Liners) de espessura com até 2 mm e microcavidades sem estresse oclusal;
  • Resinas Flow de alto percentual de carga: constituem a evolução das resinas Flow convencionais, tendo um teor de carga na faixa de 70% e, por isso, melhores propriedades. Possuem as mesmas indicações das resinas Flow convencionais e indicações em algumas técnicas injetáveis.

Existem resinas Flow opacas para uso em pequenas espessuras que podem ser usadas pontualmente como alternativa às resinas opacas convencionais. Com o aumento do interesse e evolução da categoria, surgem as resinas denominadas “injetáveis”, que são resinas Flow de alto percentual de carga com consistência um pouco menos fluida e mais tixotrópicas (tixotropia intermediária), entre as convencionais e Flow, possuindo propriedades físicas mais próximas das resinas convencionais.

Resinas flow

Resinas Flow FGM: Opus Bulk Fill Flow APS e Opallis Flow

Resinas Bulk Fill

São resinas que foram desenvolvidas com maior profundidade de polimerização (4 a 5 mm) e menor tensão e contração de polimerização, facilitando e agilizando a restauração de dentes posteriores com maiores incrementos.

Por outro lado, são um pouco mais translúcidas que as resinas Body e podem, em alguns casos, gerar um discreto acinzentamento da restauração, o que normalmente não é crítico em dentes posteriores.

Em casos de substratos escurecidos ou pigmentados, pode-se empregar uma camada fina de resina opacificadora.

As resinas Bulk Fill estão disponíveis em duas consistências:

  • Bulk Fill Flow: resinas para bases ou substitutas de dentina, ideais para preenchimento de áreas de difícil compactação, como caixas proximais, cúspides socavadas e ângulos internos;
  • Bulk Fill Restauradora ou em massa: resinas que suportam cargas oclusais. Podem ser usadas sozinhas em restaurações posteriores ou associadas às resinas Bulk Flow.

Dentre as técnicas de Bulk Fill, podemos destacar:

  • Bulk & Body: técnica na qual utilizamos uma base de Bulk Flow e recobrimos a porção oclusal com uma resina convencional Body ou Esmalte/Dentina. Indicada para se obter o ganho de tempo e conveniência das Bulk Fill e a estética das resinas convencionais, geralmente em cavidades posteriores mais amplas e de maior visibilidade;
  • Bulk Fill Restauradora: técnica em que preenchemos com incrementos de até 4 a 5 mm de profundidade e esculpimos a restauração, removendo os excessos. Indicada para cavidades simples, como as de Classe I, pois o perfeito preenchimento de caixas proximais com essa técnica se torna desafiador;
  • Bulk & Bulk: quando associamos uma base de Bulk Fill Flow e por cima colocamos uma camada de resina Bulk Fill restauradora. Técnica que pode ser usada em todos os casos, especialmente nas cavidades de Classe II, assegurando o melhor preenchimento sem falhas de áreas de difícil acesso. Apresenta um ganho de tempo considerável mesmo em relação à técnica Bulk & Body.

Resinas bulk fill

Resinas Bulk Fill FGM: Opus Bulk Fill APS e Opus Bulk Fill Flow APS

Resinas unicromáticas

São resinas convencionais, mas com uma característica especial de reflexão cromática das paredes cavitárias circundantes. Ou seja, com uma seringa universal em termos de cor (unicromática), todas as escalas são reproduzidas – um verdadeiro efeito camaleão.

Com isso, a etapa de seleção de cor se torna desnecessária. Para melhores resultados, precisamos de bons substratos (em termos de cor) ou que estes, em caso de pigmentações, estejam neutralizados pela aplicação prévia de opaco e uma dentina. Esses materiais facilitam muito a vida do clínico e, por acompanharem a cor dos dentes, continuariam a ter uma similitude de cor boa mesmo quando dentes restaurados com esses materiais são clareados.

As resinas unicromáticas são indicadas em técnicas incrementais para dentes posteriores, anteriores (cavidades pequenas e médias), facetas finas sobre bons substratos ou como esmalte de corpo sobre dentinas cromáticas (estratificação dupla).

Para melhores resultados adesivos translúcidos sem efeito amarelado, os adesivos Ambar APS e Ambar APS Universal devem ser usados junto a esse material, a fim de favorecer ainda mais o efeito camaleão.

Resina unicromática

Resina Unicromática FGM: Vittra APS Unique

Resinas Compostas Bisacrílicas

São materiais intermediários – em propriedades e estética – entre as resinas acrílicas e os compósitos resinosos, disponíveis em consistência injetável, em sistemas de automistura da base com catalisador. Ou seja, normalmente de polimerização química.

Suas principais indicações são como restaurações provisórias de próteses parciais ou unitárias fixas e facetas laminadas ou como mock-up (simulação do resultado final) para facetas e alterações/reconstruções oclusais.

Resina composta bisacrílica

Resina composta bisacrílica FGM: Primmaart

 

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