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19/08/2022

Dispositivos adesivos complementares ao tratamento ortodôntico: relato de caso

Autores: Dr. Thiago Roberto Gemeli, Dra. Bárbara Robaskievicz e Dr. Rafael Cury Cecato

A correta instalação dos bráquetes ortodônticos constitui um importante fundamento quando o intuito é realizar um tratamento mais preciso e em menor tempo. O correto posicionamento das peças permitirá ao ortodontista obter movimentos dentais com maior controle tridimensional, favorecendo as etapas de alinhamento, nivelamento e torque.

Além dos cuidados associados ao posicionamento propriamente dito, vale ressaltar a importância de outros procedimentos associados e que precedem a colagem, como a profilaxia. Cimentar bráquetes sobre uma superfície isenta de sujidades contribui para esse propósito e deve sempre ser preconizada (fig. 2).

O respeito à técnica requerida pelo sistema adesivo utilizado possibilita extrair melhores resultados clínicos. Priorizar a mesma marca comercial entre os agentes de união e resinas se torna essencial para o êxito operatório do ortodontista, sobretudo no que tange ao aumento da resistência da interface dente/bráquete.

Outra condição a ser observada pelo ortodontista se relaciona ao uso de dispositivos complementares, que são responsáveis por trazer maior conforto e brevidade à intervenção ortodôntica. A exemplo, cita-se compósitos desenvolvidos para inibir a ação perfurocortantes de fios de amarrilhos, batentes para desoclusão e/ou intrusão de elementos dentários, dentre outros.

Relato de caso

Paciente do gênero feminino, 14 anos de idade, compareceu em clínica particular relatando descontentamento com a estética bucal. A avaliação clínica permitiu constatar ligeira desarmonia entre os terços faciais (padrão braquicéfalo). Logo, o ângulo intermaxilar se apresentava diminuído, sugerindo uma abordagem posterior para aumento da dimensão vertical através da extrusão de elementos dentais de ambas arcadas. Intraoralmente, leve discrepância promovida pela presença de diastemas e giroversões na arcada superior, além de sutil apinhamento na arcada inferior.

Fig. 1 Condição clínica inicial

Fig. 1 Condição clínica inicial.

Fig. 2 Profilaxia dental com pedra-pomes previamente à colagem ortodôntica.

Fig. 2 Profilaxia dental com pedra-pomes previamente à colagem ortodôntica.

Fig. 3 Aplicação de agente condicionador (Condac 37) no esmalte por 20 segundos.

Fig. 3 Aplicação de agente condicionador (Condac 37) no esmalte por 20 segundos.

Fig. 4 Aplicação de adesivo (Ambar APS) sobre a  face vestibular do elemento 21.

Fig. 4 Aplicação de adesivo (Ambar APS) sobre a face vestibular do elemento 21.

Fig. 5 Aplicação de cimento resinoso (Orthocem)  diretamente sobre a malha do bráquete.

Fig. 5 Aplicação de cimento resinoso (Orthocem) diretamente sobre a malha do bráquete.

Fig. 6 Bráquete do elemento 21 sendo  pressionado sobre a superfície dental.

Fig. 6 Bráquete do elemento 21 sendo pressionado sobre a superfície dental.

Fig. 7 Presença de batentes  (OrthoBite) nos caninos superiores.

Fig. 7 Presença de batentes (OrthoBite) nos caninos superiores.

Fig. 7 Presença de batentes  (OrthoBite) nos caninos superiores.

Fig. 8 Ao desocluir, os batentes permitem a extrusão das baterias posteriores e auxiliam no controle vertical do tratamento.

Dica clínica

Dica Clinica 1

Dica clínica 1 – Utilize um microbrush embebido com Ambar APS para acomodar, adaptar e esculpir o batente com mais facilidade.

Dica Clinica 2

Dica clínica 2 – Utilize uma resina de proteção Top Comfort nos dispositivos acessórios que possuem potencial de traumatizar os tecidos moles adjacentes.

A utilização de técnicas e insumos que auxiliem na estabilidade da colagem ortodôntica constitui um importante fator a ser considerado pelo ortodontista. Estabelecer um protocolo operatório que inclua abordagem profilática, adequada seleção e manipulação do sistema adesivo além de prover a desoclusão com batentes, são práticas que contribuem para um tratamento ortodôntico mais rápido, confortável e rentável.