Os dentes do siso, também conhecidos como terceiros molares, costumam ser motivo de muitas dúvidas entre os pacientes. Por nascerem tardiamente, normalmente entre os 16 e 20 anos de idade, podem gerar desconfortos e complicações que variam de pessoa para pessoa. A seguir, esclarecemos em detalhes os principais pontos sobre a extração dos sisos, apresentando um panorama completo de quando e por que o procedimento pode ser necessário, além de orientar quanto aos cuidados antes, durante e depois da cirurgia.
O que são dentes do siso?
- Últimos a erupcionar: São os últimos dentes permanentes que surgem na boca, ocupando a região mais posterior da arcada dentária.
- Terceiros molares: Popularmente chamados de “dentes do juízo”, são o terceiro par de molares em cada arcada (superior e inferior).
- Período de nascimento: Geralmente, o siso aparece na faixa etária entre 16 e 20 anos, embora existam casos de erupção mais tardia ou, até mesmo, a ausência completa desses dentes em algumas pessoas.

Por que a extração pode ser necessária?
- Falta de espaço: Em muitas bocas, não há espaço suficiente para acomodar mais um dente, resultando em problemas de apinhamento ou de pressão excessiva sobre os dentes vizinhos (American Dental Association [ADA], 2021).
- Inclusão parcial ou total: Se o dente do siso ficar preso total ou parcialmente no osso ou na gengiva, podem ocorrer dor e inflamações constantes, como a pericoronite.
- Complicações: A dificuldade de higienização na região posterior favorece o surgimento de cáries, infecções e doenças gengivais, exigindo intervenção para evitar danos permanentes aos dentes ao lado.

Quando a extração é recomendada?
- Faixa etária ideal: Geralmente, a extração é recomendada entre os 16 e 19 anos, período em que as raízes estão em formação e o pós-operatório tende a ser mais tranquilo.
- Avaliação clínica e radiográfica: O dentista ou cirurgião bucomaxilofacial realiza exames clínicos e radiográficos (como a radiografia panorâmica), avaliando a posição, angulação e desenvolvimento dos sisos para indicar o momento certo de extração (American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons [AAOMS], 2020).
- Saúde bucal geral: A decisão também depende da condição de cada paciente, considerando eventuais doenças sistêmicas, uso de medicamentos e histórico de saúde.
Como é feita a extração?
- Anestesia: Pode ser local ou geral, a depender da complexidade do procedimento e do nível de ansiedade do paciente.
- Incisão e remoção: Em extrações mais complexas, é necessário fazer uma pequena incisão na gengiva e, em alguns casos, desgastar o osso ao redor para liberar o dente.
- Suturas: Após remover o dente, o profissional realiza suturas para auxiliar na cicatrização e controlar o sangramento.
- Tempo de duração: Em média, cada siso pode levar de 20 a 40 minutos para ser extraído, mas esse tempo pode variar segundo a dificuldade de acesso.
O que esperar após a extração?
- Sangramento inicial: Leve sangramento é comum nas primeiras 24 horas. O dentista pode recomendar gazes estéreis para estancar o sangue.
- Dor e inchaço: O uso de analgésicos e anti-inflamatórios costuma ser prescrito para controlar o desconforto nos primeiros dias. A aplicação de compressas frias na região pode ajudar a reduzir o inchaço.
- Cuidados de higiene: Deve-se manter a higienização bucal com escovação suave ao redor do local operado e uso de enxaguantes específicos conforme orientação profissional.
- Alimentação: É indicado consumo de alimentos pastosos ou líquidos nos primeiros dias, evitando mastigar diretamente na região operada.
Quanto tempo leva para se recuperar?
- Recuperação inicial (primeiras 72 horas): Os principais sintomas, como inchaço e dor, tendem a amenizar nesse período.
- Recuperação intermediária (7 a 10 dias): A maioria dos pacientes apresenta melhora significativa, podendo retornar à rotina normal.
- Recuperação tardia (até 3 semanas): A cicatrização total da região pode levar algumas semanas, variando conforme a saúde geral do paciente e a complexidade de cada caso.
Quais são os riscos da extração?
- Infecção: Apesar de raro, pode ocorrer infecção após a cirurgia, especialmente se não forem seguidas as orientações de higiene.
- Sangramento prolongado: Alguns pacientes podem apresentar sangramento mais intenso, especialmente se houver problemas de coagulação.
- Dor persistente: A dor geralmente diminui após alguns dias, mas em alguns casos pode perdurar.
- Lesão nervosa: Existe o risco de parestesia (dormência temporária ou permanente), sobretudo se o siso estiver próximo ao nervo alveolar inferior. Apesar de pouco frequente, o risco deve ser discutido com o profissional.
A extração dos sisos afeta a mordida?
- Função mastigatória: Em geral, não há prejuízo significativo, pois os terceiros molares não são essenciais para a mastigação (AAOMS, 2020).
- Correção de apinhamento: Em alguns casos, a extração pode auxiliar a corrigir ligeiros desalinhamentos, embora o uso de aparelho ortodôntico ou outras terapias possa ser necessário.
- Reforço preventivo: A remoção do siso pode prevenir problemas futuros, como cáries ou gengivites em áreas de difícil acesso.
O que fazer em caso de dor ou inchaço persistentes?
- Contato imediato: Se a dor ou o inchaço não melhorarem após alguns dias, ou se houver febre e sangramento excessivo, busque o dentista imediatamente para avaliação e possível intervenção.
- Seguir orientações: Respeitar o repouso, usar os medicamentos prescritos e manter a alimentação recomendada contribuem para uma recuperação mais rápida.
- Risco de alveolite: A alveolite (inflamação do alvéolo) pode ocorrer se o coágulo for deslocado precocemente do local de extração, resultando em dor intensa. Nesse caso, procure assistência profissional.
Como prevenir problemas com os dentes do siso?
- Exames periódicos: Consultar o dentista regularmente para verificar o desenvolvimento dos sisos e identificar precocemente eventuais complicações.
- Radiografia panorâmica: Exames de imagem são essenciais para planejar o acompanhamento e avaliar a angulação dos terceiros molares.
- Higiene bucal rigorosa: Escovação correta, uso de fio dental e enxaguante bucal ajudam a manter a região limpa, reduzindo o risco de cáries e doenças gengivais nos sisos.
- Acompanhamento profissional: A equipe odontológica poderá indicar o melhor momento para extrair ou monitorar o dente, proporcionando soluções personalizadas a cada paciente (ADA, 2021).
A extração dos dentes do siso é uma prática segura e rotineira, tendo como principal objetivo prevenir ou resolver complicações que podem comprometer a saúde bucal e o bem-estar do paciente (AAOMS, 2020). Cada caso deve ser avaliado individualmente pelo cirurgião-dentista ou cirurgião bucomaxilofacial, que levará em conta fatores como o posicionamento dos dentes, a presença de sintomas e a condição sistêmica do paciente. Com orientações adequadas e cuidados no pós-operatório, o procedimento tende a ser tranquilo e com boa recuperação.
Referências
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- American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons (AAOMS). (2020). Management of Third Molar Teeth.
- American Dental Association (ADA). (2021). Wisdom Teeth – Guidelines for Assessment and Management.
