Implante imediato com provisionalização imediata e Enxerto de tecido conjuntivo: Um relato de caso

Autores: Dra. Jessica Grassi, Dra. Eduarda Blasi Magini e Dr. Bernardo Born Passoni

Paciente do sexo masculino, 32 anos de idade.

QUEIXA PRINCIPAL:

Dor no incisivo central superior direito após alguns anos de trauma oclusal.

Introdução

Sabe-se que a estética do sorriso tem impacto direto na autoestima do paciente. Por isso, a instalação do implante imediato unitário com provisionalização imediata em pacientes com dentes comprometidos tem sido um planejamento rotineiro na implantodontia (Balderrama et al, 2021), sendo uma alternativa excelente quando se torna necessário unir estética, previsibilidade e satisfação do paciente e do profissional. 

As indicações para extração minimamente traumática e instalação de implante imediato são: dentes com falhas irreversíveis no tratamento endodôntico, dentes com doença periodontal avançada, fraturas radiculares e caries avançadas abaixo da margem gengival (Freitas et al, 2019). Implantes dentários realizados imediatamente após a exodontia contam com uma alta taxa de sucesso e permitem a reabilitação do paciente com uma quantidade menor de intervenções para a finalização do caso (Medeiros et al 2020). Implantes osseointegrados podem ser instalados cirurgicamente, em diversas fases temporais, após a extração dentaria. 

As vantagens dos implantes imediatos consistem em: redução significativa no tempo total de tratamento; utilização de prótese fixa imediata após a fixação do implante; redução do risco de trauma nos implantes pela prótese provisória; eliminação da prótese removível transitória; benefícios psicológicos e estéticos para os pacientes e melhor cicatrização óssea e modulação da anatomia dos tecidos moles adjacentes. (Silva et al, 2021).

Esta técnica consiste na remoção de um elemento dentário e instalação imediata de um implante no alvéolo ainda fresco. A técnica cirúrgica preconizada não realiza incisões ou descolamentos mucoperiosteais, mantendo a vascularização do osso vestibular, minimizando sua reabsorção e preservando as papilas interdentais. (Carneiro et al, 2014). Para a instalação dos implantes imediatos é importante que o profissional avalie a quantidade e qualidade óssea, oclusão do paciente, hábitos deletérios ou não, técnica cirúrgica e saúde geral do paciente.

Além da instalação do implante, outra fase muito importante para reabilitação funcional e estética do implante é a confecção de prótese provisória, visto que, com a provisionalização imediata sobre implantes pode-se realizar um condicionamento gengival para receber a coroa definitiva obtendo um formato natural do perfil de emergência, além de atender as demandas estéticas do paciente logo após a cirurgia (Balderrama et al , 2021). O condicionamento tecidual e a avaliação correta do fenótipo gengival do paciente é importante durante o planejamento do tratamento, se tornando ainda mais importante para as terapias com implantes em áreas estéticas uma boa condição dos tecidos moles é necessária para a longevidade de tratamentos com implantes dentários. Visto que, os tecidos moles periimplantares são semelhantes ao periodonto de proteção, sendo importante para oferecer uma barreira contra a agressão bacteriana ao tecido ósseo. (Nagai et al, 2021)

RELATO DE CASO

Paciente sexo masculino, 32 anos, leucoderma, sem complicações de saúde ou doenças de base ou alergias, compareceu à clínica particular relatando dor no incisivo central superior direito após alguns anos de trauma oclusal. Ao exame clínico, foi observado hiperemia da gengiva marginal e profundidade de sondagem vestibular de 12 mm (figura 1).

Durante a anamnese, o mesmo relatou que não poderia ficar sem um dente ausente naquela região, devido ao comprometimento estético e funcional na área. Para o planejamento do caso, foi solicitada uma tomografia computadorizada Cone Beam da região do elemento dentário 11. Ao avaliar o exame de imagem foi visualizado reabsorção externa, sendo indicada a extração do elemento dentário com instalação imediata do implante. Sob anestesia local (Articaína 4% com Epinefrina 1:100.000), terminal infiltrativa na região vestibular e anestesia infiltrativa do nasopalatino, incisão intrasucular e sindesmotomia sem descolamento da papila foi realizada a extração de forma minimamente traumática com a utilização de periotomo. 

Após a extração, foi realizada a fresagem única com broca de 2.4 mm para instalação de implante cone morse 3,3×11 Arcsys FGM. O implante foi posicionado através do approach palatino e com uma distância de 2 mm da tábua vestibular e a 5 mm da margem gengival. Este posicionamento ápico coronal é imprescindível para a correta formatação das distâncias biológicas, visto que o implante cone morse deve estar 2 mm infraósseo, somado aos 3 mm para formação das distâncias biológicas (epitélio do sulco, epitélio juncional e adaptação conjuntiva).

A macrogeometria dos implantes Arcsys, com corpo cilíndrico e ápice cônico, bem como as roscas trapezoidais, favorecem a estabilidade primária, aumentando consideravelmente as taxas de provisionalização imediata. No presente caso, obtevese uma estabilidade primária de 60N.cm, possibilitando a realização de estética imediata (figura 2).

Após a instalação do implante, foi realizada a reconstrução do alvéolo com o posicionamento de uma membrana reabsorvível (Genderm, Baumer) e preenchimento do GAP vestibular com 0,5g de substituto ósseo sintético Nanosynt FGM (figura 3).

A presença de um tecido gengival saudável ao redor de implantes dentários, com adequada faixa de tecido queratinizado, é considerado um dos fatores primordiais não só para a estética, mas principalmente para o sucesso em longo prazo. (Gomes, 2015) Com intuito de melhorar a qualidade e estética dos tecidos moles periodontais, foi realizado um enxerto de tecido conjuntivo subepitealial removido do palato através da técnica de Zucchelli e posicionado na área receptora através da tunelização dos tecidos periimplantares (Figura 4).

Na mesma sessão foi realizada a instalação do componente protético para prótese cimentada (munhão Arcsys FGM 3x6x3,5) e confeccionada uma prótese provisória sobre transferente multifuncional Arcsys FGM 3×6, onde foi capturado com resina flow um dente de estoque compatível com o tamanho e cor dos dentes adjacentes (figura 5).

Ao final, foi realizada a cimentação provisória com Temp Bond e sutura suspensório para tracionamento coronal do retalho. Após 15 dias o paciente voltou para remoção de sutura e avaliação pós-operatória (Figura 6).

Após 90 dias de osseointegração e maturação dos tecidos periimplantares (foto 7), o paciente recebeu alta e foi liberado para confecção da coroa definitiva.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através deste relato de caso, conclui-se que a técnica de implantação imediata, associada a reconstrução da parede vestibular, enxerto conjuntivo subepitelial e provisionalização imediata é segura e eficaz, diminuindo o número de consultas e tempo de tratamento e maximizando resultados clínicos estéticos de manutenção da arquitetura óssea e gengival dos tecidos periimplantares.

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