Uma ponte com a academia

Parceria empresa-universidade soma mais de 500 projetos de pesquisa envolvendo FGM e instituições de ponta no Brasil, como PUC-RS e USP.

Nascida sob o signo da inovação, a FGM Produtos Odontológicos tem a própria identidade ligada ao ambiente universitário – de onde veio o impulso para a criação da empresa, em 1996, a partir da provocação de um professor ao jovem químico Friedrich Mittelstädt, desafiado pelo mestre a trabalhar no primeiro clareador dental 100% brasileiro. Era o começo da jornada conduzida pelo casal Fred e Bianca que concretizaria o sonho de abrir um negócio de sucesso com a marca da ousadia. Uma jornada que já ultrapassa duas décadas – e que foi acompanhada, desde sempre, pela atenção especial a uma série de iniciativas voltadas ao conhecimento, à formação profissional e ao aprimoramento tecnológico, boa parte em parceria com instituições de ensino superior.

Nesse campo, aliás, a companhia catarinense, que se destaca no mercado com sua linha de 400 produtos e a presença firme em mais de 100 países, por meio de exportações, está alinhada a todo um esforço empresarial para fortalecer os laços com a academia. “Essa interação gera troca de conhecimentos, transferência de tecnologia e aprendizagem organizacional”, resume o documento da
Confederação Nacional da Indústria (CNI) que analisa o papel da cooperação empresauniversidade no fomento à inovação. A entidade enumera outras fontes relevantes – como a própria análise do mercado e das tendências do consumidor, além de concorrentes e fornecedores –, mas sublinha que nenhum desses canais chama tanta atenção quanto a academia.

Com esse DNA, a indústria tornou-se empresa consolidada, enfrentando players globais, e não por acaso está presente em mais de 200 universidades, dentro e fora do Brasil. “Inovação é fonte de desenvolvimento para garantirmos as melhores soluções ao mercado odontológico”, sustenta Bianca Mittelstädt. Entre 2010 e 2017, segundo a diretora, a FGM ultrapassou a casa dos 500 projetos de pesquisa, que só tomaram corpo graças à integração com renomados centros de excelência de várias regiões do país. Ao mesmo tempo, contabiliza a realização anual de uma média de 600 palestras, cursos e seminários, com a participação de 20 mil cirurgiões-dentistas.

Há bons exemplos de linhas em que o engajamento da academia foi determinante para se chegar a um produto verdadeiramente inovador. O sistema de implantes Arcsys, com exclusiva tecnologia de angulação dos componentes protéticos na clínica ou no consultório, é o mais recente. “O Arcsys é resultado de cocriação, tendo reunido a contribuição de profissionais e especialistas de diversos meios e entidades parceiras”, reconhece Fred Mittelstädt. Já os estudos científicos prévios para o lançamento da resina composta Opallis – utilizada na restauração direta de dentes anteriores e posteriores – tiveram lugar no Departamento de Materiais Dentários da Universidade de São Paulo (USP), sob a coordenação do time de Pesquisa & Desenvolvimento da FGM. Há, também, uma extensa lista de faculdades de odontologia, e mesmo professores ou profissionais da área, que acumulam longos anos de relacionamento e parceria com a empresa, em um amplo mapa de abrange várias partes do Brasil e do mundo.

Vem da capital gaúcha uma parceria que ilustra os ganhos de ambas as partes que podem ser obtidos com esse tipo de articulação. Firmado em junho de 2016, com a Faculdade de Odontologia da
Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), o acordo resultou na adoção de duas clínicas de atendimento integrado e uma de odontopediatria, com o aporte de materiais doados pela indústria joinvilense, abrangendo os principais itens da marca – até mesmo produtos para implantes. Outros seis fabricantes, em ramos distintos, participam da ação, que viabiliza a oferta de tratamentos
estéticos e funcionais mais elaborados, com custos reduzidos ou de graça, para pacientes de famílias socialmente vulneráveis. Nas clínicas integradas, o volume de procedimentos gira em torno de 3 mil/ano.

“Para a empresa, a maior vantagem é que o formando aprende a trabalhar com materiais que certamente vai usar na sua atividade profissional”, avalia Edson Mesquita, coordenador do Departamento Clínico da faculdade. Ele ressalta o compromisso da academia em dar feedback à parceira, com a análise crítica dos produtos utilizados, propondo melhorias e documentando casos
clínicos que explorem a qualidade dos materiais. “Sem esquecer que contamos com laboratório de pós-graduação capacitado para avaliar o comportamento de materiais nas simulações clínicas, o que traz um retorno excelente para o fabricante”, reitera Mesquita. Com os professores Alexandre Bahlis (diretor) e Angélica Fritscher (vice) no comando da faculdade de Odontologia, a PUC-RS
já remeteu à FGM dois casos clínicos executados na disciplina de Estágio em Clínica Integrada: o primeiro trata de confecção de facetas em dentes com restaurações extensas e o segundo analisa restaurações totais, em dentes anteriores, com resina composta em dentes com amelogênese imperfeita.

De acordo com o coordenador do curso, o caso mais recente, de difícil solução, só se viabilizou devido à parceria com a FGM. A paciente, uma adolescente de 15 anos chamada Stefany, sofria de alteração e atraso no desenvolvimento dos dentes, o que causava ainda problemas de ordem estética. Luciane Nogueira Fernandes, mãe da menina, trabalha como cozinheira e conta que buscou
auxílio da clínica na PUC há pouco mais de um ano. Em agosto, Stefany iniciou o tratamento, que durou três semanas. “Para nossa família, foi uma conquista importante. Ficamos muito felizes com o resultado”, comemora Luciane.

Especialista em Dentística e professor-doutor da Universidade de São Paulo (USP), atuando no Departamento de Biomateriais e Biologia Oral, Carlos Eduardo Francci foi o responsável pelos estudos científicos que precederam o lançamento da resina composta Opallis, em 2005 e 2006. Ele recorda que as conclusões dos testes realizados no produto da FGM, comparado a outras resinas consagradas no mercado, trouxeram uma “surpresa positiva” para a instituição. “Foi uma experiência fantástica, demonstrando que a indústria nacional poderia alcançar uma qualidade muito boa também na resina composta”, aponta Francci. O professor, que preside a Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica (SBPqO), elogia o nível de excelência e robustez dos equipamentos disponíveis na área de Pesquisa & Desenvolvimento da FGM, como também a abertura para a consolidação de parcerias com a universidade: “Isso é extremamente saudável”.

Professora da Fundação Faculdade de Odontologia (FFO), entidade conveniada com a USP, Letícia Bezinelli vai na mesma linha ao afirmar que a parceria de dez anos com a FGM possibilita que os alunos manipulem materiais de última geração durante os cursos, “o que favorece o aprendizado e o desenvolvimento do senso crítico”. Segundo ela, uma das estratégias da instituição para
alcançar seus propósitos tem sido a de selar parcerias com empresas “renomadas e que tenham produtos e equipamentos de excelente qualidade e tecnologia”.

 

 

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